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fakeplastictrees (inconformismo adolescente semanal)


Pi pa papa paro po, pa pa para po

A moda é um ciclo de cerca de 20 anos. Ou seja, o que é moda hoje, é mais ou menos o que era há 20 anos atrás, com umas mudanças e tal. Basicamente, isso é uma coisa irracional, de coração mesmo. 20 anos é o tempo que leva para você crescer e ter saudade do que você viu quando era criança. A moda é feita por jovens, perto dos seus 20 anos. Portanto, eles vão querer evocar seu passado, uma nostalgia simples ué.
Pois bem, eu nasci em 89, cresci sob os anos 90. Quando você vê aqueles programas tipo história do rock, eles sempre dão os anos 90 como uma época morta, uma época onde já se inventou tudo que tinha que inventar no rock. Historicamente, o muro de berlim caiu, a história acabou, pronto, não tem mais o que mudar no mundo. Talvez por não ter tido tempo ainda de se ter saudade deles.
Pois bem, acontece que sou meio precoce. Há tempos venho me interessando por coisas da época em que era burro o suficiente pra ser feliz, e o Palmeiras ganhava campeonato. Claro que foi marcante o Britpop, e o Grunge. Mas assim como essa era tem o Hip Hop vendido, os anos 90 tiveram seu lado trash: a Dance Music ultra comercial. Que mesmo assim tinha sua graça. Gala, Vengaboys, todos eles inesquecíveis. Quem cresceu ouvindo essa bosta, vai se lembrar com algum carinho disso. Afinal não era de todo ruim, era basicamente criar um riff marcante, muito bom, e tacar uma batida dançante em cima.
Como o Pi pa pa para po, do grande Scatman John. Ou o tan, tantan tan tantan da Gala, ou o grande Vengaboys, um dos poucos grupos a estourar com mais de uma música. O One Hit Wonder era algo em voga nos anos 90, quando se comprava CD e neguinho tinha que pagar 20 reais (só vinte, não era quarenta como hoje) para ouvir uma música e jogar o resto fora. Mesmo no rock. O rock americano post grunge era só isso. Alguns nomes eram bandas muito boas, que foram largadas no esquecimento e não são adotadas pela galera underground indieota de hoje porque tocaram na rádio, como o Semisonic, o Fastball, pra citar os dois melhores. A resposta ao grunge (resposta dada antes da pergunta, aliás) veio tão seca e crua como ele, cheia de barulho e romantismo: era o Shoegaze/Dreampop britânico, que não teve o mesmo sucesso mas teve a mesma influencia na história do rock
Na Inglaterra, os filhos do Smiths com o Stone Roses cresciam, frutificavam. Um lado trazia o bom dos Beatles, da psicodelia, e da guitarra de volta ao rock and roll. Nascia o Britpop. Nascia uma geração inglesa de franjinha loira que via o país renascer depois de Margaret Thatcher, e os times ingleses voltarem a ganharem alguma coisa.
Tudo tinha mais alma. Não era algo descartável, uma sequencia de zero-um num cartão de memória. Era Foto, num papel, num album, era música num CD, com encarte, que, relembrando, custava só 20 reais. Só não tenho saudade do Fernando Henrique, isso sim, era uma bosta.
Eis que olhe só: já falei que o maior nome que parou pelo caminho, o Smashing ia voltar. Essa semana caiu na minha mão o disco do The Tears, que podia continuar se chamando Suede.
É simplesmente fantástico, e é a mesma coisa. Sem "evoluções". Sem modernismos que só eram modernos na década de 80. Sem copiar o Franz Ferdinand. Lindo demais. Todos, escutem Lovers. Chorei a beça com isso hoje. E parou na minha mão também o novo do Snow Patrol. Aquilo mostra sim: o britpop está vivo, vivo e se mexendo.
Hoje parece que como nos anos 80 posso voltar a ser feliz. Posso renascer. A dark age da década de 80 está passando. No mundo e na minha vida.
Mas por favor, não fiquem com tanta saudade dos anos 90 a ponto de votar no PSDB de novo, tenha dó




Escrito por Luiz às 12:43
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Shakedown in 2007

Em 2007, o Smashing Pumpkins, ou melhor, o Billy Corgan, cumpre as promessas feitas nos encartes de discos e em sutis versos aparentemente sem sentido no meio das letras: um dos maiores ícones do rock dos anos 90 vai voltar.
E daí? Poderia ser mais uma das centenas de bandas que, aproveitando um momento melhor onde seu tipo de música volta a moda, se relança para fazer uma graninha.
Poderia, mas estamos falando de Billy Corgan. Ao contrário de muitos rockstars, Billy não foi estuprado pelo padrasto, não passou fome ou se prostituiu para injetar heroína. Willian Corgan era um moleque que como eu e você teve uma vida de merda, um moleque insignificante se sentindo o peixe fora d´agua no seu colégio cheio de gente cretina.
Que gostava demais de música, que só conseguria viver daquilo. E foi a luta por isso até conseguir. Quando você pesquisa sobre a história do lider dos Pumpkins, você vê que cada decisão na carreira dele foi tomada pelo coração, não levando em conta o sucesso ou a grana. Acabar abruptamente com o Zwan? Bem, porque seu coração ainda está no Smashing. Raspar a cabeça? Ora, porque pentear o cabelo é um saco. Dar um disco inteiro de graça deixando a gravadora puta da vida? Morar na casinha que é seu sonho de infância? Mandar flores para a menina que morreu no seu show? Isso é Billy Corgan.
Poeticamente falando, hoje em dia ele é insuperável. 10 entre 10 pessoas vão dizer que 1979 tem cheiro de juventude. Bolas, juventude não tem cheiro, e música muito menos. O único cheio que juventude pode lembrar é daquele seu colega de classe que soltava certos gases na aula. Mas ele faz seu coração doer até o fundo com saudade dos bons tempos de jovem, mesmo quando você ainda é jovem. Como não se faz mais, letra para você parar e pensar no que ele está dizendo porque ele realmente quer dizer alguma coisa.
Tudo isso faz crer que o que está por vir é mais um disco feito pela alma, pelo coração. E com uma empolgação semi infantil, ele paga um anúncio no jornal da sua cidade que ele nunca quis deixar, avisando que quer sua banda de volta. Tudo isso no mundo da música de hoje, onde tudo é dinheiro, onde gente que se rotula "alternativo", "indie", se prostitui para a MTV. Se Billy Corgan fosse um jogador de futebol, ele seria um daqueles beques de fazenda, que beija o escudo, chora quando o time perde, e recusa a proposta daquele time da Europa para continuar jogando na sua cidade.
Tanto faz o rumo do novo Smashing Pumpkins. Se vai pender para o Trip Hop, para a Dark Wave, se vai voltar ao grunge. O que importa é que o Smashing vai continuar tocando o coração dum paspalho como eu que trancado no quarto após um dia de merda sonha em ter uma banda. No mundo automático de hoje, onde tudo é cada vez mais prático e menos empolgante, ali ainda está um rockstar a moda antiga, alheio a poses de moderninho, preocupado apenas com a única tarefa a qual foi incumbido: fazer música, pra gente que não sabe onde seus corpos vão descansar. Talvez na poeira, eu acho.

Escrito por Luiz às 13:57
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