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fakeplastictrees (inconformismo adolescente semanal)


Everytime you close your eyes

Eu tive um sonho estranho e bonito domingo. Eu estava em São Paulo, tinha um monte de gente em volta, tinha uma banda com uma sanfona tocando umas coisas incrivelmente fantásticas, o ceu era nublado, o dia era frio e alguém me amava.
Estou falando de Arcade Fire. Não vou dizer: "O Arcade Fire foi formado em 2001...etc", pra isso veja o www.dyingdays.net. Vou tentar convencer, assim como fui convencido, que eles são a melhor banda da história.
Por questões de espaço não vou comentar os shows da MIA e do ML S/A, vou dizer apenas que foram bons porque as pessoas tem dificuldade em ler coisas ser figurinhas. Só sei que a bandeira do disco Funeral descia, se percebia que ia ser grandioso, impactante. Ninguém sabia o que era. Subiram e tocaram Mew. Uma meia dúzia fazia o coro. Na parte onde eu estava, só uma loirinha meiga lá pros seus 16 anos, eu e um negro com uma blusa fodaça da Adidas sabiam do que via pela frente, todos pasmos ameaçando o choro.
Logo depois, foi Neighborhood #2 (Laika) com o percussionista simplesmente BATENDO NO CHÃO DO PALCO, enquanto a sanfona mandava ver e o violino soava. Meu, sério, isso é uma banda de rock. Uma banda com violino, acordeon, xilofone, e você pensa "Um bando de esnobes que cresceram num conservatório". Não. Nada é mais carismático, emotivo, bonito do que aquilo. Música de coração. Eles davam o melhor de si no palco. Tocavam com vida. A próxima vez que um velho vir fazer desdém da sua geração, falando que nos anos 70, 80, 60, no século 19 a música é melhor que a bosta que tem hoje, faça o seguinte: esfregue o Funeral na cara dele e diga: "Isso é minha geração". As luzes, as interpretações, tudo era a mistura de tudo, um show de rock superproduzido (sem gastar os milhões de Kiss e Rolling Stones), uma peça da Broadway, uma banda underground, o melhor de tudo ali. Não vi um não dizer: "Nossa, que foda". A loirinha ia ao extase, meus olhos enchiam de água, o negro não errava um verso. É indescritível, nunca vou conseguir reproduzir o que vi. Em Haiti, pude perceber como todos tocavam tudo, sincronizadamente, tudo perfeito, o som, a coreografia, e o cara da "percussão" detonando seu pratinho, fazendo graça com as baquetas, um showman como o cara do chocalho do Happy Mondays, só que melhor. A platéia aplaudia timida mas sincera. Nesse ponto eu pude reparar como a loirinha era graciosa e especial (quem gosta de AF já é especial) e eu comecei a olhar ela e consequentemente ela olhar pra mim com mais graça ainda.
O final apoteótico era Rebellion (Lies), o melhor momento da minha vida.O percussionista, depois de arregaçar o seu prato corria pra lá e pra cá, com uma bandeira (por mais babaca que isso pareça era realmente demais, acredite). Ela se virou pra mim e disse: "Como é lindo (O AF, não eu)". Eu já pensava em como ia ser legal contar meu filho de onde ele veio. Só que o meu colega tava quase passando mau sem água e então como ele estava sob minha tutela levei ele e me afastava sabendo que ia voltar e ali nasceria o primeiro (e bem tardio) amor da minha vida.

Aí eu acordei no meio do show do Kings of Leon. As pessoas que diziam que foi meia boca não viram Molly´s Chambers bombar ali. Mas, meu, depois do AF qualquer coisa ia ser meia boca. E porra, ela evaporou. Me meti a besta de vasculhar os 30K presentes e cada vez me perdia mais e me culpava mais ainda. Nada me animava. Nem o Arcade de novo. O AF, que fez a hora mais feliz da minha vida pra mim, ia me dar o que ninguém deu e eu perdi, e nunca mais vou ter outra chance dessas. No meio disso posso dizer só uma coisa: Não acreditem na mídia, o show do Kings of Leon foi realmente foda.

Eu não me conformava com a merda que fiz e quando nada ia me alegrar o Strokes subiu. Histeria coletiva. Ninguém cantava Whatever Happened com mais raiva que eu. Julian é uma cara muito legal ao contrario do que falam por aí. Ali vi como não seria feliz sem fazer daquilo minha vida. Sem viver como se a vida fosse um longo festival. Sem poder um dia ver os caras do Arcade e poder contar tudo isso pra eles. Eu queria ela, eu queria que alguém se interessasse pelo mundo que eu amo tanto e ninguém quer fazer parte. E eu perdi. Algum dia vou ser feliz? Algum dia vou deixar de ser insignificante? Algum dia vou ser metade do que você é, Julian? Algum dia? E justo nessa hora ele tinha que responder: "In many ways, we´ll miss the good old days. Someday." É, Julian, algum dia. O choro foi incontrolável. Algum dia Julian. Me espere. Someday. I´ll waste no more time!

Escrito por Luiz às 18:02
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Vote Foda-se

O referendo do desarmamento é a coisa mais patética que já vi na vida.
Os horários políticos parecem dois grupos de 6ª série apresentando o trabalho na escola. Sabe quando antes os dois combinam de não fazer perguntas muitos difíceis pra um não complicar o trabalho do outro? Então. É isso.
Não levará simplesmente a nada, os ladrões vão continuar armados, um puta tempo perdido se criando polêmica prum tema besta. Sem falar nos outros ladrões mais armados ainda, os do congresso atual, os do governo passado que sabem roubar melhor ainda. Do lado do sim uma porra de artistas medíocres (Chico Buarque passou a ser medíocre pra mim) posando de politicamente correto, porque no Brasil não ser politicamente correto é crime inafiançável. Do lado do Não, a revista Veja e uma meia dúzia de deputados cujo objetivo é pura e simplesmente contrariar o Lula, se fosse os PSeuDo-Bonzinhos que tivessem feito ia ser outra história.
Por isso quando me perguntam Sim ou Não, sabe qual é meu voto?
Meu voto é Arcade Fire, Kings of Leon e The Strokes. Que esse país vá a merda. Se vire com o José Serra presidente. Tão com saudade do PSDBosta, que roubava sem deixar vocês souberem? Fiquem aí com sua novela, seu Jornal Nacional, sua música sertaneja. Eu vou terminar a faculdade e vou embora daqui, nem que seja pro Paraguai, portanto mesmo que esse referendo mudasse alguma coisa, eu sou indiferente a essa bosta.
Sim ou Não? Meu voto é Foda-se.Pau no cú desse referendo que eu vou no TIM

Escrito por Luiz às 17:47
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