Domingo passado eu tive de escolher entre a prova do E-NEM fodendo e tocar com o meu grupo de chorinho em Santa Bárbara. Eu escolhi a segunda e agora vou arcar com as consequencias disso (se foder mais na prova da FUVEST), porque era a única coisa que oferecia a possibilidade de ter um dia quase legal. Eu poderia falar de como fomos ovacionados de coração por uma platéia de cerca de 35 pessoas, e como isso me incentiva a lutar pra um dia ter o mesmo de 1000 ou 2000 em Londres ou Berlim. Mas, bem, a verdade é que lá havia uma feira cultural da região, cada cidade apresentava alguma coisa, a gente representou Indaiatuba e infelizmente o fez na hora da Fórmula 1. No Stand de Artur Nogueira, me chamou a atenção o Jornal da "Turma do Pulguinha". Depois vi que tudo na barraca remetia ao tal personagem que parecia ser o mascote da cidade, então decidi ler o impresso. A turma do Pulguinha é uma criação do escritor Renê Moreno, é formada pelo próprio, uma meiga loirinha chamada Bebel, o companheiro coadjuvante Ninico, e o cãozinho Toco. Também há os personagens secundários como o pai do Pulguinha (adivinhe se o nome dele não é Sr. Pulga) e o porco Peludinho (porco peludo? e quem além do Cascão tem um porco de estimação?). Tudo bem, até aqui parece que estou fazendo um julgamento negativo do trabalho do cara, mas ok. O Pulguinha já lançou dois livros e um CD com faixas como "Meu cavalo Tomada" e "O trem do Pulguinha". Ele é famosíssimo na região de Artur Nogueira e tem até uma loja própria com seus produtos, indo desde os tais livros até fantoches e bicicletas. O jornal exibia orgulhoso fotos de eventos com um animador vestido de Pulguinha a tiracolo, inclusive na famosa Expoflora de Holambra. Quase com certeza tem na entrada de Artur Nogueira um outdoor do Pulguinha dando um joinha. Ou seja, o negócio é grande. O jornalzinho, que era pago e provalvelmente alguém comprava porque completava dois anos, tocava muito em sonhos. Toda matéria tocava nesse assunto e incentivava você a correr atrás dos seus. Tinha uma fábula legal dum Urso e uma panela quente, vocês já devem ter ouvido, procurem (essa fábula serviria muito pra mim uns meses atrás). Pulguinha é o sonho de Renê Moreno, fazer troça do que ele mais gosta na vida é uma atitude cruel, eu não posso fazer isso se não quiser que destronem meus planos, e, desconsiderando a qualidade eleitoral da bagaça (até porque todos personagens infantis são uma bosta), o Pulguinha era até simpático. Nada é bonito sem inocência, a inocência que faz a gente se emocionar com 35 pessoas te aplaudindo, que faz uma criança gostar do Pulguinha, da Mônica ou da Avril Lavigne (essa última bosta já é um bagulho enfiado goela abaixo pelo cruel marketing, o inimigo da inocência, e é por isso que odeio ela). Só que a inocência é um valor que não leva a nada, e como ninguém ganha nada com ela no capitalismo, cada vez mais as crianças a abandonam. Os personagens infantis, outrora cândidos, agora mais um tentáculo do capitalismo avançando sobre a inocência, a representam, e devem continuar existindo, mesmo que sejam uma bosta Portanto toda sorte a Renê Moreno (um belo dia vou até Artur Nogueira confirmar a história e visitar a loja do Pulguinha) e seu plano de ganhar o mundo, primeiro com o longa metragem do Pulguinha, depois com o Parque do Pulguinha, até o dia em que ele será tão famoso quanto o Mickey. Porque não? Não acho que o Mickey seja menos idiota que o Pulguinha. E idiota não é ofensa. Meu sonho indie europeu cult é idiota. Seu sonho é idiota também. E se você não sonhou ou não sonha, se mate. Você é um idiota.
Escrito por Luiz às 12:51
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Estávamos a falar do contrato milionário que o Ronaldinho Gaúcho assinou com o Barcelona. 3 Milhões de Reais por mês. 100 mil por dia. Em 2 minutos ele ganha o que eu ganho em um mês. Toda pessoa deve sonhar com isso. A questão é que pra ser feliz isso é inócuo. Ninguém consegue gastar 100 mil num dia. A gente ficava pensando no que fazer com tanto dinheiro. A idéia que considerei mais inteligente foi a do Renato, de instalar um bebedouro de Yakult na casa dele. Eu levantei o peito e falei que a felicidade está nas grandes coisas. Dinheiro é coisa pequena. Felicidade era aquele dia. Céu nubladaço. Branco. Acordei empolgado, peguei o disc-man e fui pra escola ouvindo Coldplay. Eu amava de novo. Milagre. Desde sábado de madrugada. Uma coisa completamente surreal e escrota, por algo que eu nunca vi pessoalmente na vida. É tão imbecil que chega uma hora em que você olha e pensa "Eu fiz isso?". Mas eu estava feliz. Meu cabelo tava foda. Eu agora tinha minha franjinha perfeita, do jeito que eu queria. Eu parecia sentir que achei meu lugar no mundo, com minha franjinha, minha blusa cinza, meu jeito, meu gosto, e que existia alguém que podia fazer parte disso. Foi um dia feliz com F maiúsculo, sem nada de diferente. Eu poderia dizer que o céu, o dia bonito e frio me animou. Fomos ao COTUCA (o próximo post vai ser só sobre as quatro horas que passei lá) fizemos muita merda, perdi 2 reais.Foi um dia feliz sem gastar um centavo e 3 milhões não fariam diferença. Só que quase voltei pra Indaiatuba a pé. Ouvindo Coldplay. 24 horas se passaram, as nuvens se foram, faz um calor da porra, e a esperança que eu tinha que essa ia ser a vez em que ia virar a página se foram junto. Vamos dizer que eu e minha mente analítica estragaram toda a bagaça de novo, é foda ser inteligente e sempre descobrir a verdade antes dos outros. E nem 3 milhões de dólares iam mudar isso. O que eu tenho jamais pode ser comprado. E mesmo sendo de graça ninguém quer. Bem não fiz poesia (apesar de tentar), só descrevi um dia feliz seguido duma puta decepção, que vai vir seguida de outro dia feliz e duma decepção maior ainda. A foto não é do Bloc Party, é do Single She´s Lost Control, do JD .
Escrito por Luiz às 15:54
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